O cadastro de produtos é onde o comercial, o estoque e o fiscal se encontram. Um mesmo formulário guarda o preço que o vendedor vê, a quantidade que o estoque controla e o NCM que sai no XML — e é o campo Tipo de produto que decide quais dessas partes ficam ativas.
Onde ficam
Em Inventário → Produtos → Produtos (o mesmo cadastro aparece em Vendas e em Compras). A visão em cartões mostra foto, referência interna, preço e quantidade em mãos.
Os três tipos de produto
| Mercadorias | Bem físico. Pode ter estoque, entra em NF-e modelo 55 ou NFC-e 65, exige NCM e origem. |
| Serviço | Não tem estoque. Sai em NFS-e, exige código do serviço no município e tributação do ISS. |
| Combo | Um item de venda que agrupa outros produtos. Cada componente mantém a própria tributação. |
Trocar o tipo muda as abas e os campos disponíveis — por isso ele é a primeira decisão do cadastro.
Aba Informações gerais
- Vendas / Ponto de Venda / Compras — as três caixas no topo controlam em quais telas o produto aparece. Produto de uso interno costuma ter só "Compras" marcado.
- Política de faturamento — quando a venda pode ser faturada. Veja a seção abaixo.
- Rastrear inventário — liga o controle de quantidade. Com ele vem a opção de rastrear por lotes ou por número de série (obrigatório em alguns segmentos, e é o que permite recall).
- Quantidade em mãos — o saldo atual, clicável para ver por depósito.
- Preço de venda e Custo — o custo alimenta a margem e a valorização de estoque.
- Impostos sobre vendas e Imposto sobre compra — no Odoo estes dois campos ficam vazios. A tributação não é definida no produto; veja o aviso abaixo.
- Categoria — a categoria de produto, que define contas contábeis, método de custo e rotas.
- Referência interna — o código do produto na sua empresa. Aparece na NF-e como
cProd. - Código de barras — o GTIN/EAN. Vai no XML como
cEAN; quando não existe, sai "SEM GTIN".
O produto não define imposto
Esta é a diferença mais importante entre o Odoo e uma instalação padrão do Odoo. Nos campos Impostos sobre vendas e Imposto sobre compra do produto não se coloca nada. Toda a tributação vem da posição fiscal da operação, na aba Odoo Impostos, onde cada linha cruza imposto, CST, CFOP, estados, NCM e categoria fiscal para decidir o que aplicar.
O motivo é prático: no Brasil o mesmo produto é tributado de formas diferentes conforme o destino, o regime do cliente, o CFOP e a finalidade da operação. Uma camiseta vendida para consumidor final em São Paulo, para revenda no Paraná e para exportação tem três tratamentos distintos — e nenhum deles cabe num campo fixo do cadastro. Se o imposto estivesse no produto, ele entraria em todas essas operações e teria de ser corrigido a cada nota.
O que o produto informa ao fiscal são características, não alíquotas: NCM, origem, CEST, categoria fiscal, unidade tributável. São esses campos que as regras fiscais da posição usam para encontrar o imposto certo.
| No produto | NCM, origem, CEST, EX TIPI, categoria fiscal, unidade tributável, tipo de serviço e código municipal (serviços). |
| Na posição fiscal | Quais impostos aplicar, com qual CST/CSOSN, qual CFOP, para quais estados, para quais NCM e para quais categorias fiscais. |
Se ao emitir uma nota o imposto sair errado, o lugar de olhar é a posição fiscal do cliente — não o cadastro do produto.
Aba Informações Fiscais — mercadoria
É esta aba que decide se a nota é autorizada ou rejeitada.
| Categoria Fiscal | O agrupamento fiscal do item — revenda, uso e consumo, imobilizado, matéria-prima, brinde. É usado pelas regras fiscais para tratar grupos inteiros de produtos de uma vez. Não confunda com a categoria de produto. |
| Unidade Tributável | A unidade que vai no XML (uTrib), que nem sempre é a unidade de venda: você vende por caixa e tributa por quilo. |
| Destinação (origem) | De 0 a 8, é o campo orig do XML: 0 nacional, 1 importação direta, 2 estrangeira adquirida no mercado interno, 3 e 5 nacional com conteúdo de importação, 4 processo produtivo básico, 6 e 7 sem similar nacional, 8 conteúdo de importação superior a 70%. Ele muda a alíquota interestadual — mercadoria importada usa 4%. |
| Classificação Fiscal (NCM) | Os 8 dígitos da tabela NCM. Definem IPI e, em muitos estados, o enquadramento em substituição tributária. |
| CEST | Obrigatório quando a mercadoria está no regime de ST. Sem ele, a nota é rejeitada nos estados que validam. |
| EX TIPI | A exceção da TIPI, quando o NCM tem tratamento diferenciado para um subgrupo. |
| Benefício Fiscal | O código do incentivo (cBenef) quando a UF exige. |
| Destinação (uso) | R – Revenda, U – Uso e consumo, I – Imobilizado. Afeta o crédito do imposto na entrada. |
No bloco Configuração de linha em pedidos e faturas existe o Tipo de Uso em Fatura, que marca o produto como Frete ou Desconto. É assim que uma linha de frete vira o campo de frete do XML em vez de virar mais um item da nota.
Aba Informações Fiscais — serviço
Quando o tipo é Serviço, a mesma aba mostra outro conjunto de campos, voltado à NFS-e:
- Tipo de Serviço — o item da lista da LC 116/2003 (por exemplo, 14.05 para beneficiamento e 17.01 para assessoria e consultoria). Vem do cadastro Configurações → Cadastros → Tipo de Serviço.
- Código no Município — o código da lista municipal, que pode não coincidir com o da LC 116. É o que a prefeitura valida.
- Descrição Código do Município — o texto do serviço como o município o define.
- Tributação do ISSQN — [1] Operação tributável, [2] Imunidade, [3] Exportação de serviço, [4] Não incidência.
- CST PisCofins — Ambiente Nacional — o CST de PIS/COFINS usado na NFS-e do padrão nacional.
O ISS entra como imposto de escopo Serviços, o que impede que ele apareça numa venda de mercadoria. Veja impostos.
Política de faturamento e política de recebimento
Dois campos parecidos que controlam coisas diferentes: um diz quando você pode faturar o cliente, outro diz sobre o que você paga o fornecedor.
Política de faturamento (venda)
| Quantidades pedidas | A fatura pode ser gerada assim que o pedido é confirmado, independentemente da entrega. Usado em venda antecipada, serviço pré-pago e produto sob encomenda com pagamento na frente. |
| Quantidades entregues | Só é possível faturar o que já saiu do estoque. É o padrão de quem vende mercadoria: a NF-e acompanha a mercadoria. |
O efeito na separação: com quantidades entregues, um pedido de 100 unidades que sai em três remessas gera três faturas e três NF-e, cada uma com a quantidade realmente expedida. Com quantidades pedidas, a nota sai inteira de uma vez e a entrega parcial não muda o faturamento. Por isso o campo muda o desenho da operação: ele define se a separação manda no faturamento ou o contrário.
Em serviço, a política ganha mais opções: Pré-pago/preço fixo, Baseado em planilhas de horas, Com base em marcos e Com base na quantidade entregue (manual). O "Arquiteto Sênior (Faturado por Horas)" do ambiente de demonstração usa planilhas de horas: o cliente é faturado pelas horas apontadas, não pelo que foi orçado.
Política de recebimento (compra)
| Sobre quantidades pedidas | A fatura do fornecedor é conferida contra o pedido de compra. Serve quando o combinado é o que vale, independentemente do que chegou. |
| Sobre quantidades recebidas | Só se paga o que entrou no estoque. É o padrão recomendado: protege contra faturamento a maior e força a conferência de três pontas — pedido, recebimento e nota. |
Boas práticas
- Cadastre a foto: ela aparece no PDV, no e-commerce, no orçamento em PDF e facilita a conferência na expedição.
- Referência interna sempre preenchida, e com padrão (CAM-101, CAL-002). Ela é a chave de conferência com o fornecedor e com o inventário.
- NCM e origem em todos os produtos antes de virar a chave para produção. O card NCM do Painel Fiscal mostra quantos itens ainda estão sem.
- Rastreio por lote em alimentos, cosméticos e qualquer coisa com validade; por número de série em equipamento com garantia.
- Use variantes (tamanho, cor) em vez de criar um produto por combinação: o fiscal fica num lugar só e o estoque continua separado por variante.